9 de abril de 2015

A ADIG REUNIU COM A APA



A ADIG (Associação para a Defesa dos Interesses da Gafanha da Nazaré) foi recebida, no dia 30 de Março, pela nova Administração do Porto de Aveiro, pelo seu Presidente Eng. Braga da Cruz e o Dr. Olinto Ravara.
Da ADIG estiveram presentes Humberto Rocha e mais 5 elementos dos Corpos Sociais.
O Presidente desenvolveu os vários assuntos que, de momento, preocupam as gentes da Gafanha da Nazaré, tendo sido secundado pelas intervenções dos restantes associados.
Esses problemas, apresentados num memorando que, no final da reunião, foi entregue à Administração, receberam desta a melhor atenção.
Algumas das nossas preocupações, como os casos do moliço putrefacto na Vala Hidráulica e da marina da Gafanha da Nazaré, onde aparece contaminação das águas da Ria, por descargas de produtos que lhe conferem um aspecto leitoso, embora não sendo da responsabilidade directa da APA, como se encontram em territórios do seu domínio, foi pedida a sua intervenção junto das autoridades responsáveis.
Embora só o tempo o possa confirmar, foi opinião da ADIG de que os Administradores do Porto de Aveiro ficaram sensibilizados para a realização de acções que melhorem a qualidade de vida dos habitantes da Gafanha.

MEMORANDO:
REUNIÃO COM A ADMINISTRAÇÃO DO PORTO DE AVEIRO
PETCOKE - Colocação duma barreira contra os ventos dominantes, Norte e Noroeste. Cuidados com a movimentação. Dialogar com a Cimpor e a Socarpor
AREIAS – As casas continuam a ser invadidas por quantidades enormes de areia. Cuidados com os carregamentos.
CLINKER – A movimentação das cargas e descargas continua a levantar muita poeira
MARINA DA GAFANHA DA NAZARÉ – limpeza e desassoreamento. Águas branco-leitosas
BARREIRA ARBÓREA – Só algumas árvores, plantadas numa pequena distância, e a maior parte secas ou caídas
ESTACIONAMENTO DE PESADOS – talvez no Largo dos Estaleiros Mónica – porque provocam dificuldades no trânsito e muito mau cheiro
VALA HIDRÁULICA – na separação da povoação, com moliço putrefacto
FORTE E CASARIO – restauro do monumento do Forte (Museu da Ria?) e respeitar a traça do casario
ESTAÇÃO de MONITORIZAÇÃO - em contínuo, de PM10, PM2,5 e outros poluentes
Gafanha da Nazaré, 30 Março 2015

Pel’A ADIG
(Humberto Rocha)

21 de março de 2015

ADIG NO PORTO DE AVEIRO


ADIG (Associação para a Defesa dos Interesses da Gafanha), representada por 5 elementos, esteve a assistir à descarga de Petcoke do barco Arklow Wave, no Cais Comercial do Porto de Aveiro, no dia 16-03-2015.
Presentes, também, Directores da Cimpor e da Socarpor, bem como o Presidente da Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré e as Engenheiras do Ambiente da C.M. de Ilhavo e da APA.
A Cimpor quis demonstrar como estavam a ser executadas as medidas implementadas para solucionar o problema da poluição pelo Petcoke.
Para começar, o barco era mais pequeno, sendo depositado menos produto no cais e com a promessa de que será retirado até sexta, dia 20, sendo, depois, o cais limpo dos desperdícios.
A descarga fazia-se cuidadosamente, levando o balde da grua até ao contacto com a pilha e só depois era aberto e, ao mesmo tempo, era para aí direccionado um jacto de água de alta pressão para evitar as poeiras. Simultaneamente havia um canhão de água pulverizada, a funcionar continuamente, sobre a pilha de Petcoke, evitando a dispersão de partículas.
Os camions, de imediato, eram cobertos, evitando perdas pela estrada. As rodas dos veículos serão lavadas, mas com o cuidado de evitar escorrências para a Ria.
A ADIG tem a certeza de que, se todas as manobras de carga e descarga do Petcoke, continuarem a ser feitas com os cuidados demonstrados, haverá uma melhoria substancial na qualidade de vida das populações, pelo que se congratula com a presença, desde já, dum funcionário da Cimpor em permanência, a fiscalizar todas as etapas do processo e da garantia, dada pelo Dirigente da Socarpor, de que tudo será feito para cumprir com as normas de movimentação deste tipo de produtos.
O Presidente da ADIG não pode deixar de referir que ficou mais tranquilo com as medidas adoptadas mas, voltou a lembrar que, além destas, é indispensável, para protecção da saúde e das habitações das gentes da Gafanha, a colocação duma barreira contra os ventos dominantes de Norte e Noroeste. Os Representantes da Cimpor garantiram que ia ser feita e de que estava a ser estudada a melhor forma de a executar.
A ADIG está vigilante e vai continuar a defender a Gafanha e a sua população.
Pela ADIG, os presentes: 
Humberto Rocha 
João Aristides Marçal
Maria da Graça Oliveira 
João Vilarinho das Neves
Humberto Manuel Vieira






28 de fevereiro de 2015

PETCOKE – a CIMPOR reuniu com a ADIG


A CIMPOR reuniu com a ADIG, na Gafanha da Nazaré, para debater os problemas do PETCOKE, por forma a minimizar os efeitos prejudiciais à saúde dos habitantes e à sujidade que invade as suas casas. 

Na Reunião, efectuada na Junta de Freguesia, estiveram presentes pela Cimpor, quatro individualidades: o Administrador, o Responsável pelas Operações Portuárias, o Director da Fábrica de Souselas e a Técnica Ambiental

Pela ADIG, Humberto Rocha e João Vilarinho das Neves

Pela Junta da Gafanha da Nazaré, o Presidente Carlos António, uma Representante da Câmara Municipal de Ilhavo e uma Representante da Administração do Porto de Aveiro.

A deslocação da Delegação da Cimpor para dialogar connosco demonstra a justeza das nossas reivindicações e o respeito pela nossa luta, mas também, temos de reconhecê-lo, o interesse da Cimpor em resolver os problemas levantados pela movimentação do Petcoke, na nossa Terra. 

A troca de impressões decorreu muito bem, comprometendo-se a Cimpor a implementar todas as medidas já descritas no Projecto de Licenciamento, bem como as que foram indicadas na Nota da Cimpor de 18-02-2015. 

Como medidas adicionais, mas muito importantes são: a presença dum funcionário da Cimpor, em permanência, durante a carga e descarga, para que sejam cumpridas todas as regras do bom manuseio do produto e a garantia de que, quando o vento estiver mais forte, as operações de carga e descarga são suspensas.

O Presidente da ADIG regista com muito agrado, a disponibilidade da Cimpor para a solução deste problema, bem como ter a seu lado a Junta de Freguesia, a Câmara Municipal e a APA.

No final da Reunião a ADIG entregou um documento ao Senhor Administrador da Cimpor com as medidas que considera indispensáveis para minimizar os efeitos nefastos da movimentação do PETCOKE, algumas já implementadas e outras que esperamos sejam satisfeitas. 

HRocha

documento:




15 de outubro de 2012

ROMAGEM À NOSSA SENHORA DE VAGOS


Organizada pela ADIG, realizou-se no dia 14 de Outubro a romagem ciclista à Senhora de Vagos. O tempo não ajudou e, por isso, só meia dúzia de ciclistas mais afoitos se deslocaram ao Santuário. Os restantes peregrinos viajaram de carro, ficando a capela muito composta. Ao todo deveriam estar 30 pessoas.
O acolhimento do público foi caloroso, se tivermos em conta as palmas que bateram mesmo a meio de um cântico e pelos parabéns dados no final da actuação.

Prevíamos ficar para almoçar nas mesas do Santuário mas a chuva não o permitiu. Fica para o ano.
Seguem-se o texto e o poema lidos na capela.

Pelo segundo ano consecutivo, aqui viemos ao encontro da fonte das nossas raízes. Daqui saíram, há mais de dois séculos, alguns dos nossos antepassados. Essa gente de rija têmpera, que foi em busca de melhor vida, em momentos de maior aflição unia-se em preces fervorosas à Nossa Senhora de Vagos e assim encontrava o lenitivo para as suas maiores canseiras, que muitas eram noutros tempos. Mesmo vivendo por lá, até certa altura aqui se casavam, aqui baptizavam os seus filhos e aqui eram enterrados. Por aí vinham, alguns pelo “carreiro do meio”, outros pelas dunas palustres, desabrigadas, ou em barcos pelo Rio Boco acima. Assim foi até 31 de Dezembro de 1853.

Toda essa gente, destemida, sempre com muita freima, soube transformar dunas estéreis em terrenos de pão, o que na altura ficou conhecido por “Milagre da Gafanha”.

É em nome daqueles que há muito nos deixaram que aqui viemos em romagem como em tempos pretéritos faziam, a pé, de alcofa à cabeça, os nossos familiares.
Muito obrigado, Senhora de Vagos, por todo o consolo que lhes deste.

A nossa actuação começa com um poema de Ercília Amador, sob o título “As Mãos da Nossa Gente”, que retrata bem o viver de outros tempos.

Depois deste belo poema, lido por Cristina Araújo, continuaremos a nossa actuação com a guitarrada “Variações em Ré Menor”, de Jorge Tuna, e três fados de Coimbra. O primeiro, da autoria de Luis Goes, intitula-se “Rezas à Noite” e é interpretado por mim. Em seguida, ouviremos “Igreja de Santa Cruz”, cantado por Nelson Calção. Para finalizar, o Rogério Fernandes cantará o fado secular “Nossa Senhora de Vagos”, de Armando d’Eça. 

A encerrar esta parte musical da manhã, actuará o Grupo Coral da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré, cantando três canções: “Saudade”, do cancioneiro açoriano; “Bairro Negro”, de José Afonso; e “Milhões de Barcos”, música de Cartagena e letra de Manuel da Fonseca. 

Assim, em união espiritual com os nossos antepassados, e sob a protecção da Senhora de Vagos, comecemos a nossa actuação musical.

AS MÃOS DA NOSSA GENTE

Sem descanso ou interrupção,
Da praia fizeram chão.

Provaram do mar o sal,
Da ria o travo e o moliço.

Leiras de terra cavaram.
Cricos e navalhas colheram.

Barcos e casas ergueram
E todos se ajudaram.

Caminhos árduos rasgaram,
E no mar muito forcejaram.

Angústias e dores sofreram,
Feridas e mortes aguentaram.

Penaram...maus tratos passaram,
Mas parar...nunca pararam.

       E a nossa terra moldaram!

São mãos que cavam,
Que colhem e que semeiam.

Mãos que pescam e que remam,
Que bordam e que ponteiam.

Mãos que enfardam, que volteiam,
Que amassam, cozem e salteiam.

Mãos que conduzem a traineira,
Ou que calafetam a bateira.


Mãos que pintam, bordam e costuram,
Que tecem, bordejam, colhem e forcejam.

Mãos que acariciam os filhos,
Que avançam com seus cadilhos.

Mãos que conduzem, ensinam e amparam,
Que acenam, consolam e afagam.

Mãos que comandam a lida.
Mãos que modelam a vida.

Mãos enrugadas, calejadas,
Batalhadoras e magoadas,

Algumas jovens, sonhadoras...
Outras cansadas, sofredoras.

São as infatigáveis obreiras,
Os pilares do nosso chão.

São as mãos da nossa gente,
O milagre da criação.
     
                 Ercília Amador

10 de outubro de 2012

Romaria ciclista à Senhora de Vagos

Domingo, 14 de Outubro, a ADIG vai organizar uma romaria ciclista à Senhora de Vagos, retornando às nossas raízes. A saída é feita do Centro Cultural pelas 9H30. Haverá carro-vassoura e a viagem também pode ser feita de automóvel.

Já no Santuário de Vagos, actuará, na capela, o Grupo Portas de Água, de fados de Coimbra, e o Coral da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré.

Quem levar farnel, poderá continuar a conviver nas mesas do Santuário. Pela tarde actuará os Grupo de Cavaquinhos da Universidade Sénior, para além de outros cânticos interpretados pelos artistas presentes. Também se jogará ao pião, aos calarotes, ao ringue, etc., etc.

O regresso está previsto para as 17H00, sendo indicado onde passará a ser o limite de freguesia na estrada de Ílhavo à Gafanha.

Quem estiver interessado em participar neste convívio, faça o por favor de fazer a sua inscrição através do nosso e-mail: adi.gafanha@gmail.com.

Jantar comemorativo dos 20 anos da ADIG

Sábado, 13 de Outubro, pelas 20H30, a ADIG vai realizar no Restaurante Clássico o seu jantar comemorativo dos 20 anos de existência.
A refeição custa 12€ e é composta por sopa, um prato de peixe (bacalhau à Clássico) ou um prato de carne, à escolha (vitela, chanfana ou grelhados mistos), bebidas, sobremesa e café.

Quem estiver interessado em participar neste convívio, por favor faça a sua inscrição através do nosso e-mail: adi.gafanha@gmail.com, indicando o prato preferido.

8 de outubro de 2012

LIMITES DE FREGUESIA

É tempo de enterramos esta questão dos “Limite de Freguesia da Gafanha da Nazaré”. Sobre este assunto, e de forma resumida, temos a dizer o seguinte:

• Em 1911, foram fixados os limites da nossa freguesia, através do “Auto de Delimitação”;
• Em 1981, no Gabinete de Urbanização da CMI, é projectado um traçado que visava furtar-nos 2Km na “estrada de Ílhavo à Gafanha” e entre a Barra e a Costa Nova (projecto CMI GU 810407 AM – DT 57);
• Ainda em 1981, um movimento autodenominado “Comissão de Colonos e Moradores da Colónia Agrícola da Gafanha”, solicita à Assembleia da República a alteração dos “Limites da Gafanha da Nazaré”, sendo o ofício assinado pelo “regedor da freguesia”, cargo extinto por Lei há sete anos (1974);
• Entre 1981 e 1983, diz-se que alguém que trabalhava no Instituto Geográfico Português (IGP, no tempo Serviço Geográfico Cadastral), colocou nas cartas destes serviços os limites projectados na carta CMI GU 810407 AM – DT 57. Não se contentando com esta tramóia, ainda fez desaparecer todos os elementos escritos existentes nestes serviços sobre a nossa freguesia – um verdadeiro caso de polícia. A partir daqui, os Censos relativos à Gafanha da Nazaré passaram a ser feitos por esta falsa delimitação;
• Em 2001, a CMI admite uma vez mais como válida esta delimitação fraudulenta e o IGP fixa nas suas cartas estes limites dando-lhe o cunho de “provisórios” (por não terem sido aprovados pelo governo, com posterior publicação no Diário da República);
• Em 2010, a autarquia volta a desrespeitar a Lei, ao admitir como válidos uns limites que oficialmente nunca existiram, tentando mesmo, segundo se ouve para aí dizer, torná-los oficiais nas costas dos gafanhões;
• Em 2012, o executivo camarário, desrespeitando mais uma vez as Leis democraticamente instituídas, impõe os limites para a nossa terra! Nem a votação da Assembleia de Freguesia tinha carácter vinculativo! Isto é, quem votou foi tratado por palhaço. E, estranhamente, a maioria representativa da nossa Assembleia de Freguesia, ainda por cima em frente à população, aceitou mansamente o que nos estava a ser ditatorialmente imposto!!! E assim se verificou que os maiores inimigos da Gafanha foram alguns gafanhões que acabaram por trair a sua terra e a população que, pelo voto, neles confiou!!!

Relativamente ao que nos foi imposto, a ADIG pensa que os limites entre a Barra e a Costa Nova respeitam a vontade dos nossos antepassados. Na zona do Complexo Desportivo aceitam-se, com algumas reticências. Na “estrada de Ílhavo à Gafanha” fomos visivelmente prejudicados. Os limites deveriam ser pela rotunda da SIMRIA e não pelo segundo aceiro da Colónia. Não se aceita que o complexo religioso e social Mãe do Redentor, PAGO PELOS HABITANTES DA GAFANHA DA NAZARÉ, tenha ficado de fora, quanto mais não fosse por respeito ao trabalho do Padre José Fidalgo. Por lá ficou o sino e o relógio, oferecidos à nossa igreja paroquial por Manuel Carlos Anastácio e Sebastião Lopes Conde no primeiro quartel do século passado?!

Sob a capa do rigor, o executivo camarário impôs uma delimitação que não respeita a História desta terra, nem os documentos oficiais existentes, voluntariamente ignorados em público por Ribau Esteves, que não se coibiu de, lá para os lados onde mora, fazer certos acertos que resultaram num traçado que mais parece um rendilhado de bilros, na mira de satisfazer certos interesses. Assim não, senhor Presidente...

Porém, este problema não se esgota aqui! Vamos ver quando são colocadas as placas indicativas do início da nossa terra, quando se substituem as placas verdes, indicativas dos arruamentos, que nada têm a ver connosco, e, ainda mais importante, quando são corrigidos nos Correios, no Cartório Notarial, Finanças, nos Censos, etc., etc., o local das residências dos nossos concidadãos, abusivamente atirados para outras freguesias, pelo descaramento de quem nos governa. 

Passar-se uma coisa destas, num país a sério...

27 de setembro de 2012

ASSEMBLEIA DE FREGUESIA (Limites Administrativos da Gafanha da Nazaré)


Eis-nos chegados a um acto de grande responsabilidade, que consiste em definir, oficialmente, onde se fixarão os limites administrativos da nossa freguesia. Este processo, quando era preciso andar a alta velocidade, andou a passo lento de caracol. Agora é-nos apresentado, quase como facto consumado, para ser votado a toda a pressa! Mesmo o próprio presidente da Junta, que ainda na última Assembleia de Freguesia nos disse que nada era tratado sem primeiro dar conhecimento à população, vê-se agora ultrapassado por uma medida injusta que o deixa refém da sua palavra.

O que a CMI nos propõe, é aceitarmos, de bom grado, uma freguesia amputada de algumas zonas há um século consagradas à Gafanha da Nazaré pelo “Auto de Delimitação da Freguesia”. Por que razão este documento oficial foi ignorado pela autarquia?!

Todos sabemos que o documento que hoje vai a votação há muito anda a ser concebido pela CMI e seus pares. A Câmara, por querer saborear as suas glórias sozinha, trabalhou na sombra durante largos meses. Agora tudo faz para que não tenhamos tempo para raciocinar como deve ser sobre este tão delicado assunto.

Perguntamos: quantos dos colegas que aqui estão hoje, na bancada do seu partido, para decidir os nossos destinos, tiveram tempo de ir ao local verificar o que nos está a ser proposto? Quem ainda não o fez, quando chegar à altura de se pronunciar, estará em condições para votar em consciência, ou sentir-se-á um vendido a outros interesses que não são os da terra que nos acolhe? Já ouvi dizer: “então, que se há-de fazer?! Temos de aceitar o que nos está a ser proposto. Caso contrário, nem daqui a trinta anos este assunto estará resolvido!!!” Quem assim pensa, desculpem, não será a pessoa mais indicada para aqui estar! Este é um assunto muito sério para ser tratado com tanta ligeireza.

O povo da Gafanha da Nazaré, que acreditou em nós para a defesa dos seus interesses, não se sentirá defraudo por aceitarmos apenas um quinhão da parcela que por direito próprio nos pertence? E, se possível for assim acontecer, como se sentirão os nossos antepassados, aqui presentes em espírito, se não soubermos defender, com denodo, o legado que eles com tanto amor e tantas canseiras nos deixaram! Pelos menos, saibamos ser dignos da sua memória...

Depois deste preâmbulo, passemos a analisar o documento de trabalho posto à nossa consideração para delimitação da freguesia, que, diga-se, contém aspectos muito positivos. Concordamos com o traçado entre a Barra e a Costa Nova (antes da curva da Biarritz).

Verifica-se, com agrado, a manutenção na nossa freguesia do Santuário de Schoenstatt e do Complexo Desportivo do GDG, contrariando o que erroneamente tinha sido colocado nos mapas do IGP e CAOP. Porém, o traçado apresentado pela autarquia para esta zona é um verdadeiro labirinto, por não respeitar a rede viária existente, ziguezagueando, por entre os pinheiros, para além da carta não referir os nós de viragem com coordenadas GPS, o que indicia que quem fez este estudo não foi lá muito feliz.

Do lado sul-nascente é que temos o grande problema! Todos se lembram dos sucessivos recuos da placa indicativa dos nossos limites: primeiro na rotunda da SIMRIA; depois pelo acampamento dos ciganos; e mais tarde um pouco a sul da Casa da Remêlha, isto é, sempre a cortar para o mesmo lado. Nós propomos que os limites do lado da Remêlha partam do extremo nascente da rua Eng.º Vasco Leónidas (junto à rotunda da SIMRIA) e seguir, sempre em recta, até encontrar a Circular das Bichaneiras, no nó 6.

Se os limites que nos estão a ser apresentados vierem a ser aprovados, sentimo-nos vilipendiados, por a nossa área inicial rondar os 20Km2, querendo agora a CMI atribuir-nos, apenas, 16,44Km2. Porquê?! Com a alteração que propomos, passaríamos a ter 17,64Km2, ainda longe da área inicial, com a vantagem de preservarmos o Centro de Recursos Mãe do Redentor, pertencente ao Centro Social e Paroquial da Gafanha da Nazaré. Por certo, esta seria uma boa prenda para os Gafanhões e para o Padre José Fidalgo.

Pelo que se sabe, a CMI propõe-nos uns limites inegociáveis, mas em democracia as coisas não funcionam assim! Quem tem o direito de decidir os nossos destinos são os Gafanhões. O que nos estão a tentar fazer é um acto reprovável nesta sociedade que se diz democrática. E mais, se esta Assembleia de Freguesia não é vinculativa, segundo o parecer da CMI, o que estamos nós todos aqui a fazer? Esta lei, venha ela de onde vier, está a fazer de nós simples palhaços e nós não admitimos palhaçadas destas.

Mesmo com as leis todas contra a nossa vontade, compete-nos pelos meios legais postos à nossa disposição, defender com unhas e dentes os interesses dos Gafanhões.

Dado haver ainda algumas imprecisões no documento que nos foi apresentado para estudo, propomos que a votação deste assunto seja adiada por oito dias, para que, conjuntamente, os membros dos três partidos com assento nesta Assembleia de Freguesia, façam, no local, um estudo aprofundado ao que nos está a ser proposto. Só assim poderemos votar com a consciência do dever cumprido. Não pedimos que se chumbe ou aprove este projecto. Pedimos, sim, que nos dêem mais uma semana para podermos decidir, com consciência, o que é melhor para a nossa Terra. Dizemos mais: se as coisas, um dia, vierem a correr para o torto, quem nos governa sacudirá a água do capote, dizendo: foi votado na Assembleia de Freguesia. E aí, os maus da fita, seremos nós.

Senhora Presidente desta Assembleia, por amor de Deus lhe rogo, faça fazer valer a nossa força, e não nos venha com a desculpa já gasta de que o nosso pedido é inviável, por amanhã haver Assembleia Municipal! E que culpa tivemos nós das coisas nos chegarem tão tarde às mãos? Sendo a estrutura camarária altamente profissionalizada, para além de tão bem remunerada, por que se teria atrasado tanto?

Por tal motivo, se aceitarmos, às cegas, a proposta da CMI, para além de não ser de bom tom, consideramos um acto de prepotência que só será aceite por aqueles que não amem, como deve ser, a sua Terra...

Viva a Gafanha da Nazaré, “feita pelos nossos avós...”.

Gafanha da Nazaré, 26 de Setembro de 2012
Júlio Cirino da Rocha (Membro do PS)