9 de maio de 2012

O ano em que o meu pai nasceu


João Maria Marçal (1912-1988)

Quando o meu pai nasceu a terra onde viu pela primeira vez a luz do dia era freguesia havia menos de dois anos. Já muito tinha crescido o que a levou a esse facto. Não foi em vão todo o trabalho dos seus antepassados (Rochas, Patas, Varetas, Rodrigues e Marçais) e outras famílias como a dele que aqui labutaram criando a Gafanha da Nazaré.
 
Não havia electricidade e as estradas eram poucas e ensaibradas: a primeira a ser construída atravessava a Gafanha da Nazaré desde próximo dos Estaleiros Navais até à Barra. Fazia parte do plano de ligação de Aveiro à Costa Nova. A segunda ligava a Gafanha de Aquém à Chave e era muito recente. O resto eram caminhos de carroça que em alguns casos funcionavam como valas em épocas de muita chuva. Estradas florestais, nem vê-las. No entanto já se zelava pela floresta onde foram empregues muitos gafanhões no plantio de pinhal e abertura e manutenção de valas de escoamento da água da chuva.

Os trabalhos resumiam-se à Agricultura. Pesca do Bacalhau. Salinas e Construção Naval. No entanto havia progresso em curso o que espantava muita gente pela má qualidade agrícola dos terrenos à partida.

Foi inaugurada a nova Igreja Matriz da Gafanha da Nazaré, implantada no meio da freguesia apesar de não ser aí a área mais povoada.

Em Aveiro, no Convento de Jesus é criado o Museu de Aveiro por portaria de 7 de Junho.

Neste ano (1912), Portugal participou pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Verão em Estocolmo, ficando com a triste recordação da morte do maratonista José Lázaro por desidratação.

Na Galiza um grupo de 200 monárquicos portugueses comandados por Paiva Couceiro continuava à espera de oportunidade para combater a república recentemente instalada no nosso país. Esta permanência estava a causar descontentamento em Espanha uma vez que a república havia sido aceite internacionalmente e exigia a deportação dos monárquicos.

Em Janeiro dão-se os primeiros conflitos grevistas no Alentejo onde a Cavalaria é mandada avançar contra os rurais de Beja daí resultando um morto e vários feridos. Seguiu-se a primeira grande greve geral de âmbito nacional.

Portugal estava então a braços com uma epidemia de tifo que alastrava sobretudo nos meios urbanos. O auge estendeu-se de Março a Maio.

Nasceu em Saint-Jean-de-Luz (França), Maria Adelaide de Bragança, infanta de Portugal e tia do actual Duque de Bragança. Chegou aos cem anos de idade.

Deu-se o naufrágio do transatlântico Titanic durante a sua viagem inaugural. Possuía 29 caldeiras de vapor, 2 máquinas a vapor alternativas e 1 turbina a vapor para movimentar 3 hélices que lhe conferiam uma velocidade de 23 nós. Na Gafanha da Nazaré e noutros portos do país continuavam a existir navios de propulsão só à vela.

Nasceu Werner von Braun responsável pelo desenvolvimento dos mísseis alemães usados na 2ª Grande Guerra e mais tarde já nos EU pelos foguetes espaciais entre os quais o Saturno V que permitiu a 1ª viagem tripulada à Lua em 1969.

Enfim, 1912 foi fértil em acontecimentos, mas para mim o mais importante foi o nascimento do meu pai em 7 de Maio, uma terça-feira.

João Marçal

7 de maio de 2012

CARTA ABERTA À POPULAÇÃO DA GAFANHA DA NAZARÉ

Caros Concidadãos:

Através de informações fornecidas pelo Instituto Geográfico Português (IGP), tudo leva a crer que a Gafanha da Nazaré não tem limites de freguesia oficialmente aprovados!!! Por isso é que, desde há décadas, a Câmara Municipal de Ílhavo (CMI) nos tem podido fazer tantas traquinices. Certos políticos da CMI, em vez de defenderem o nosso território, como lhes competia, avançaram por aí adiante, como no tempo de D. Afonso Henriques na reconquista de terra aos sarracenos?! Com uma diferença: enquanto o primeiro rei de Portugal lutava de espada em riste, à frente das nossas tropas, alguns dos autarcas ilhavenses do passado agiram como toupeiras, de forma sub-reptícia e por má-fé. Para o seu modo de pensar, estávamos a crescer depressa de mais.
Sobre a triste história dos limites da nossa freguesia, podemos dizer o seguinte:

1) O Auto de Delimitação, de 1911, lavrado pela CMI, fixou os limites da Gafanha da Nazaré pela Rua do Portão Velho, na Gafanha de Aquém – “segundo aqueduto da estrada de Ílhavo à Gafanha”. Porém, a autarquia, cremos que por esquecimento, não fez seguir o documento para aprovação e posterior publicação no Diário do Governo. Estava aberta a porta aos problemas...

2) Em 1969, quando da subida da Gafanha da Nazaré a vila, a CMI propôs uma alteração de limites, do seguinte modo: a Nascente passariam para a rotunda da SIMRIA e, do lado Poente, transitariam do palheiro de José Estêvão para um pouco antes da curva da Biarritz. Este facto foi ocultado dos membros da Junta de Freguesia, e só viria a ser conhecido através de um mapa enviado, em 1970, à “Cooperativa Eléctrica da Gafanha”. Por mais ofícios que a Junta de Freguesia enviasse à CMI para esclarecer este assunto, os autarcas nunca responderam!!! A verdade só seria conhecida, por acaso, em 1979, quando os membros da Junta de Freguesia tiveram que se deslocar ao Governo Civil de Aveiro para tratar de outro assunto.
Mas está bem de ver que, sem a assinatura dos membros da nossa Junta de Freguesia, os limites também não puderam ser validados.

3) Em 1981, a CMI elabora, no seu Gabinete de Urbanização, uma carta (CMI GU 810407 AM – DT 57) com novas delimitações, tencionando trazer os limites da Gafanha da Nazaré, na Remêlha, para o local onde até Janeiro de 2011 esteve uma placa esverdeada, do BPA, com os seguintes dizeres: “Bem-Vindos à Gafanha da Nazaré”. Entre a Barra e a Costa Nova, os limites transitariam da curva da Biarritz para próximo do Banco Montepio, da Barra!!!

4) Ainda em 1981, um grupo de falsários, autodenominados “Comissão de Colonos e Moradores da Colónia Agrícola da Gafanha”, fez seguir para o Governo Civil um ofício, pedindo a revisão de limites da freguesia! Como é que uma “comissão”, que não representava 1% da população da Gafanha, teve força suficiente para tratar de um assunto desta envergadura, ainda por cima assinada pelo “regedor” – cargo extinto por lei desde 1974?! Talvez por isso tenha ficado no Governo Civil algum tempo, seguindo para a Assembleia da República em Março de 1983, cremos que só depois de preparada uma tramóia algo sofisticada que passaremos a dar a conhecer daqui a pouco.
E tanto foi como dissemos, que a CMI, “vendo-se ultrapassada” por uma “instituição” que não tinha legitimidade para tomar tal iniciativa, fez seguir para o Ministério da Administração Interna o ofício n.º20/83, de 22 de Março, solicitando informação sobre o conteúdo da carta emitida pela tal “comissão de moradores”. O mesmo fez a Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré, através do ofício n.º520, de 7 de Dez. de 1983. Não houve resposta...

5) Com vista a tentar oficializar esta nova delimitação, sem o conhecimento da nossa Junta de Freguesia, diz-se que as ilegalidades atingiram tal proporção que “mão invisível” teve a desfaçatez de, numa data que deve situar-se entre 1983 e 1991, alterar o traçado existente nas cartas topográficas à guarda do IGP!!!
Esta ilegalidade, provavelmente cometida por um funcionário dos antigos Serviços Geográficos Cadastrais, contratado ou integrado no tal grupo de gente de mau porte, em conluio com alguém pertencente aos quadros da Comissão do Poder Local e Administração Interna da Assembleia da República, efectuou tais ilegalidades só possíveis através de uma teia muito bem montada. Estas movimentações redundariam, sempre, em benefício de outras freguesias, com o oportuno “milagre” de toda a documentação anterior, referente a este processo, ter desaparecido do Instituto Geográfico Português!!! Dele, segundo informação do director do IGP (ref. n.º2.260, de 14/11/2003), nem um simples papel lá se encontra! Só isto era merecedor de um rigoroso inquérito. Mas nada aconteceu. Não contentes com as irregularidades cometidas, os tais falsários fizeram desaparecer, também, certos documentos do Governo Civil de Aveiro e, por duas vezes, da Assembleia da República! Estes actos são comprovados por um ofício de 4 folhas, emitido pela Câmara Municipal de Ílhavo, datado de 5 de Março de 1985, relacionado com o “Desdobramento da Repartição de Finanças do Concelho de Ílhavo”. É por isso que ousamos alvitrar: há muito estes deploráveis actos deveriam ter sido averiguados pela polícia e os seus autores exemplarmente punidos com o cárcere.

6) A partir de certa altura, contra o que seria admissível esperar, a CMI aceitou este fraudulento traçado de limites! Pelo que se vê, o crime engendrado a soldo de gato escondido com rabo de fora, compensa, e bem, certos interesses. E tanto assim teria sido, que no estudo do PDM de 1991, e no DR n.º 20, II Série de 24/01/1996, pág. 1.218, lá aparecem os limites estudados no Gabinete de Urbanização da CMI em 1981, que, em abono da verdade, contêm incorrecções que deveriam fazer corar de vergonha quem as promoveu. Mas, como anteriormente, estes limites também não passam de letra morta, por mais uma vez não terem passado pela Assembleia da República, com posterior publicação no DR!!! Pergunta-se: que rigor há nos Censos efectuados desde 1981, se as freguesias do concelho de Ílhavo não estão oficialmente delimitadas? Por isso os nossos autarcas fogem a sete pés, como o Diabo foge da cruz, quando os interpelamos acerca dos limites da nossa freguesia.

7) Depois de muito trabalho, e apesar do boicote de certas pessoas e instituições em nos fornecer os dados que solicitámos, descobrimos que os limites da nossa freguesia resultam dos Censos de 2001 (então não seriam os Censos que deveriam advir dos limites da freguesia?!). Mas também estes novos limites, por não terem passado pela Assembleia de Freguesia da Gafanha da Nazaré, não puderam ser validados pela Assembleia da República!!! E anda esta gente, bem falante, comprometida com a sua consciência, a incomodar com o ruído do seu mutismo cidadãos honrados que o único pecado que cometem é pretender repor os limites tidos como correctos pelos autarcas de então, que mais não fizeram que aceitar aquilo que os habitantes das várias freguesias do concelho já tinham consagrado com a posse das terras que desbravaram. Quanto mais não fosse, por respeito à sua memória. Agora pretenderem-nos cortar, relativamente a 1911, uma fatia de 2Km nos limites a Sul da freguesia, é obra!

Resumindo: por tudo o que acaba de ser dito, só resta aos Presidentes das Juntas de Freguesia do concelho de Ílhavo sentarem-se em redor da mesma mesa e negociarem os limites das terras para as quais foram eleitos, mas nunca nas costas da população, como até aqui.

23 de abril de 2012

GAFANHA DA NAZARÉ – CIDADE FANTASMA PARA A CMI!

 Uma vez mais a CMI ignorou o nome da Gafanha da Nazaré, ao anunciar o “Ílhavo Sea Festival 2012” como se este se realizasse na cidade de Ílhavo! Não seria muito mais simpático, e verdadeiro, referir que os grandes veleiros atracarão no cais do Porto Comercial da Gafanha da Nazaré, cidade do Município ilhavense?

Por favor, caros autarcas, parem de enganar os incautos forasteiros que por aqui andam, atarantados, à procura da estrada para Ílhavo, em busca de eventos que por lá não se realizam! 

14 de abril de 2012

Assembleia Geral Ordinária

Nos termos do Artigo 8º dos Estatutos, convoco, ao abrigo do artigo 2º do regimento, a Assembleia Geral da ADIG – Gafanha da Nazaré, Associação para a Defesa dos Interesses da Gafanha da Nazaré, para reunir em sessão ordinária no dia 17 de abril de 2012, terça-feira, pelas vinte e uma horas, no Salão Nobre da Junta de Freguesia, com a seguinte:
 
Ordem de Trabalhos
 
1. Informações;

2. Apresentação e aprovação das contas relativas ao ano de 2011.
 
3. Outros assuntos.


Se à hora marcada não se verificar o número de presenças previsto no Regulamento Interno, os trabalhos iniciar-se-ão meia hora depois com qualquer número de associados.
 
 
Gafanha da Nazaré, 27 de Março de 2012
 
O Presidente da Assembleia Geral
 
João Alberto Roque

29 de março de 2012

POLUIÇÃO DO PORTO DE AVEIRO

De há alguns anos para cá, temo-nos vindo a sentir ameaçados pela poluição produzida no Porto de Aveiro. A ADIG, como Associação vocacionada para defender os direitos e interesses da Gafanha Nazaré, tem procurado saber a razão porque, há tanto tempo, e após inúmeros protestos, continuamos a ser bombardeados por poeiras que nos entram sem convite em casa, para além de afectarem a saúde da população da Gafanha da Nazaré.

Já contactámos a APA, por duas vezes, que se limitou a dar-nos a conhecer as medidas implementadas para tentar atenuar os efeitos nefastos da poluição por si produzida, francamente insuficientes para atenuar tão grave problema. Basta passar a mão por cima do tejadilho dos automóveis para se ver a porcaria que anda no ar.

Acabámos de enviar outro ofício à APA, tentando fazer-lhes ver que é tempo de repensarem as técnicas anti-poluição até aqui utilizadas no Porto de Aveiro. Os gafanhões começam a sentir-se cansados com tanta imobilidade da parte da APA em solucionar um problema que nunca deveria ter existido, com a agravante de não se ouvir um protesto público da parte da CMI nem da nossa Junta de Freguesia. Por que será?!

Um Hino à Gafanha da Nazaré (concurso para melodia)

Depois de selecionada a letra para “Um Hino à Gafanha da Nazaré”, no concurso lançado pela ADIG, é agora a vez de serem os músicos a usar toda a sua criatividade para apresentarem uma melodia para a referida letra.
Recordo que a divulgação pública aconteceu no espetáculo comemorativo do Dia Mundial da Poesia, promovido pela ADIG e pelo Grupo Poético de Aveiro, no dia 21 de Março de 2012, no Centro Cultural da Gafanha da Nazaré
Neste espetáculo, o poema foi declamado pela sua autora, a Prof. Zita Leal.

Data para entrega dos trabalhos concorrentes - 18 de maio de 2012

26 de março de 2012

Um Hino Gafanha da Nazaré (poemas concorrentes)

Passamos a apresentar, por ordem alfabética do nome dos autores, os restantes poemas concorrentes ao concurso "Um Hino à Gafanha":


Gafanha da Nazaré
Do Forte da Barra
E do Santo André
Navio coragem
De garras nos sonhos
Nos ventos, na aragem;
Labores sem tamanhos

Regada de mar
De porto e partida
Chorada ao chegar
Nos abraços da vida

Terra de sal e de sol
De amarras e anzol
De redes, de gentes,
De barcos, sementes

Semeada no tempo
Perdido da história
Floriste em momento
De Abril e de glória

Cidade e jardim
Nascida do mar
Tu és para mim
Uma estrela a brilhar...


                                 António Almeida Dinis


Nascida do nada
Areal inóspito
Que no propósito
De povos felizes
Foi criando raízes
Tiradas à ria e ao mar.

Conceberam naus
Que mares sulcaram
Navios carne pescaram
O País alimentaram
Enfrentando tormentas
Nunca dantes passadas.
Mestres da coragem
Ousadia e saber
Fizeram esta terra
Grandiosa crescer.

Gafanha da Nazaré
Eis a terra que ora e canta
A tanta gente espanta
De beleza sem par
Assim seu futuro é
Aquilo que hoje encanta
Amanhã radiante
Princesa à beira mar.

Gafanha da Nazaré
De pé, ao pé da fé
De pé, ao pé da fé
Nasceu Gafanha da Nazaré.

Gafanha da Nazaré
De pé, ao pé da fé
De pé, ao pé da fé
Cresceu Gafanha da Nazaré.

Seu farol altaneiro
É bússola de marinheiro
Oudinot pioneiro
Suaviza a canseira
Embeleza à maneira
À vista primeira.

Gente da terra
Da ria e do mar
Que soube sem guerra
Com denodo desbravar
Ao longo dos anos
Areias e oceanos.

Fizeram deste canto
Beleza sem igual
A coisa mais linda
Admirável de Portugal.


                                         Cândido Casqueira


Da areia fizeste o chão
Dá-te o sol beijos e brilhos;
Mar e terra dão-te o pão
Que pões na mesa aos teus filhos.

Na seca e no campo ganhas
O sustento e o respeito
Que na terra das Gafanhas
É jóia de pôr ao peito.

O teu home é pescador
Com dóri no mar sem fim
Mas também é lavrador
Que faz da terra um jardim.

Trazes a saia bordada
Com a espuma da maré;
És mulher, mãe asseada
Gafanha da Nazaré!

Vão pescar o bacalhau
Teus homens p’ra terra estranha
Levando o sol e o sal
Desta terra da Gafanha.

Quando o barco volta ao cais
E vai para a seca o peixe
Se abraçam filhos e pais
“Ó paizinho não me deixe!”

Praias de junco e marinhas
Que a ria beija e abraça
Que o moliceiro à tardinha
Enfeita co’ a sua graça.

Um povo nobre e honrado
E este mar que é o teu encanto;
Ó chão sempre semeado
Por isto eu te amo tanto! 


                                Domingos Freire Cardoso

Há muito, muito tempo,
A Gafanha não existia
Só areias brancas… junto à Ria…
Passados muitos anos,
Linda Freguesia e cidade,
Bela Gafanha da Nazaré,
P’ra nós a mais formosa,
O Atlântico a seus pés… vaidosa.

Aos botes, aos botes,
Mares gelados da Terra Nova,
Ao arado, ao arado,
Extensos areais a cultivar,
Bravos marinheiros-lavradores,
Gafanhões difíceis de vergar.

Terra de mil gentes,
Veleiros, velas aos ventos,
Carregados de “fiel amigo”,
A Guarita e o Forte,
guardiões  da nossa Ria
E sobre o Atlântico,
O Farol da Barra altaneiro,
Aponta o Porto de Aveiro.

Aos botes, aos botes,
Mares gelados da Terra Nova,
Ao arado, ao arado,
Extensos areais a cultivar,
Bravos marinheiros-lavradores,
Gafanhões difíceis de vergar.

                             Humberto Rocha


A nossa Gafanha
De indústria tamanha
Tem povo com alegria
Em nossas secas cantando
E trabalhando dia a dia
E se um barco chega
Da faina do mar
Como já é tradição
Casais abraçados
Vão matar saudades
Da longa separação

Gafanha da Nazaré
Cidade em crescimento
Tens os teus barcos pesqueiros
Sempre, sempre em movimento
E o cheiro a maresia
Que vai pairando no ar
É o amor que sente a ria
Quando vai beijar o mar

Bem virado ao norte
Temos belo forte
Com seu jardim sem igual
E vemos lindas paisagens
Famosas em Portugal
E um barco museu
Com um guia seu
Sempre disposto a mostrar
Toda a engrenagem
Que envolve a viagem
De seis meses a pescar

Gafanha da Nazaré
Bonita por natureza
Com traineiras navegando
Mostrando sua beleza
E os barcos atracados
De mãos dadas, par a par
Fazem lembrar namorados
Dando beijos ao luar.

                                            Maria da Luz Araújo


 

25 de março de 2012

LIMITES DE FREGUESIA

Passamos a informar como decorreu a reunião entre a ADIG e a CMI. Como seria de esperar, com cordialidade e abertura na exposição de ideias de parte-a-parte. Foram tratados dois assuntos:

1) Sobre as feiras de velharias, a realizar nos locais anteriormente anunciados (Jardim Oudinot; Largo do Farol e Costa Nova), aceitámos as justificações dadas pela CMI, em não as autorizar. Também aceitámos as justificações dadas sobre a realização de uma feira de velharias na Gafanha do Carmo, que ocorreu no dia 11 de Março, por ter sido uma iniciativa da Junta de Freguesia e ser feita uma vez por ano. 

Porém, foi-nos enviado um ofício informando sobre a realização da “IV Feira Franca de Associações do Município de Ílhavo, integrada nas Comemorações do Feriado Municipal, que se realiza na Segunda-feira de Páscoa, dia 09 de Abril (...) no Parque Urbano da Senhora do Pranto junto ao Mercado Municipal de Ílhavo”. Aqui, não compreendemos! A ADIG procurou associar-se à comemoração da nossa elevação a cidade, num programa que apelidou de “Semana da Gafanha em Festa”, sem gastos para a CMI, mas não foi autorizada a fazê-lo, porque, segundo a CMI e a Junta de Freguesia, “eram festas a mais”. Pelo que constatamos, só o que é pensado pela Autarcas ilhavenses tem valor...

2) Relativamente aos limites de freguesia, foi-nos sugerido apresentar as nossas dúvidas por escrito, a fim de sermos informados oficialmente sobre este assunto. Assim faremos.

23 de março de 2012

Dia Mundial da Poesia - "Um Hino à Gafanha"

A 21 de Março de 2012, no Centro Cultural da Gafanha da Nazaré, comemorou-se o “Dia Mundial da Poesia”. Como convidados de honra estiveram presentes o vice-presidente da CMI, Eng.º Fernando Caçoilo, e o presidente da Junta de Freguesia, Sr. Manuel Serra. Com uma casa agradavelmente composta, os espectadores puderam assistir a um espectáculo variado, que contou com canto, música e poesia, que nos fizeram viver momentos de rara beleza. Se tivermos em conta os aplausos do público e as felicitações recebidas após o espectáculo, e mesmo por e-mail, sentimo-nos estimulados a fazer outro evento deste género para o ano.

Como estava anunciado, antes de terminado o espectáculo foi divulgado o poema vencedor do concurso “Um Hino à Gafanha”, primorosamente dito pela sua autora:

És fruto de um povo forte
De “antes quebrar que torcer”
Povo que enfrenta a desgraça
E não se deixa vencer.

Teu solo, areia agressiva,
Foi regado com suor
E nele brotou a vida:
A natureza deu flor.

Tuas mulheres foram mães
Pais, no lar, na educação
Mulheres que, cada vez mais,
Lutavam na solidão...

Gafanha é seca, estaleiro
Porto de ria e de mar,
Farol, forte, timoneiro,
É Fé, é Povo a rezar.

Gafanha, terra bendita,
Feita por nossos avós,
És a Menina Bonita,
Dos olhos de todos nós!

Zita Leal

21 de março de 2012

Em Tempo de Mudança...

Descendemos de gente humilde e trabalhadora, que soube, com a força do seu braço, transformar um areal imenso e inóspito em terrenos verdejantes que mataram a fome aos nossos antepassados. Mais tarde, o povo que aqui vivia descobriu o mar e a ria, que lhe fica á ilharga. Depois vieram os estaleiros, as secas, as oficinas, etc., e a nossa terra passou a ser cobiçada por aquilo que, alguém, há dezenas de anos, apelidou de “Milagre da Gafanha”.
A Gafanha da Nazaré, de hoje, é uma cidade com uma excelente qualidade de vida, apesar de algumas afrontas que certas entidades persistem em manter, ou levar para a frente, sempre feitas de modo sub-reptício, o que indicia que quem as comete não está de boa-fé. A pior afronta que se pode fazer a um autarca ilhavense é perguntar-lhe por onde passam os limites a Sul na nossa freguesia!!!

A ADIG, segundo os seus estatutos, tem por dever pugnar pela defesa dos direitos e interesses da Gafanha da Nazaré. Para isso tem lutado, quantas vezes em vão, pois portas que haviam de estar escancaradas para nos acolher, fecharam-se não nos permitindo chegar aos documentos que nos levariam à solução do nosso eterno problema: saber onde começa a nossa terra! Doutras vezes, os documentos que procurámos tinham levado sumiço. É estranho! Assim aconteceu no Governo Civil, no GAT de Aveiro, no Instituto Geográfico Português e na Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré. Também consultámos o Ordenamento do Território, o Arquivo Distrital e a Assembleia da República, que nos remeteu para a autarquia ilhavense, não muito aberta a facultar coisas deste género.

Através da luta silenciosa que travámos, verificámos que só em dois casos houve vontade de aclarar o problema dos nossos limites. As restantes instituições consultadas responderam-nos por evasivas, ou remeteram-se a um desrespeitoso silêncio. Até mesmo alguns gafanhões não se têm portado nada bem, como era seu dever, em defesa da terra que os viu nascer... 

As placas com o nome indicativo do início da Gafanha da Nazaré, foram sendo mudadas sem se saber porquê e, imagine-se, agora até já desapareceram, o que transformou a nossa terra numa cidade fantasma!!! Tendo em consideração os mapas do Instituto Geográfico Português, os mapas dos Censos de 2001 e 2011, na estrada que liga Ílhavo à Gafanha, de 1911 até agora, os nossos limites já recuaram dois quilómetros! Também a Poente, entre a Barra e a Costa Nova, este recuo já também atinge dois quilómetros! Quem havia de dizer que o banco Montepio, da Barra, segundo os nossos autarcas, já “pertence” à Costa Nova! Quem havia de dizer que o campo do Grupo Desportivo da Gafanha “já se encontra situado” na mancha geográfica da freguesia de S. Salvador, de Ílhavo!!! E, segundo parece, as traquinices eram para continuar: com falinhas mansas atiravam-nos com a ANAFRE, com o “Livro Verde” e com outras coisas sem nexo...

Enquanto nos íamos documentando, a fim de consultar, frontalmente, a CMI sobre os limites de freguesia da Gafanha da Nazaré, uma jovem da Cale-da-Vila, chamada Ana Neves – no blogue “Eu Sou Gafanhão” – mexeu no brasido, há muitos anos ateado, e originou um incêndio de tal proporção que só não atingirá quem estiver de boa-fé no meio desta embrulhada toda.

É tempo de, no sítio certo, dar a voz à Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré e à Câmara Municipal de Ílhavo, para que os Autarcas que nos governam expliquem à população como foi possível tentar mexer nos limites da nossa freguesia sem passar pela Assembleia da República, caso assim tenha efectivamente acontecido!!!...